VIOLÊNCIA DE GÉNERO OU VIOLÊNCIA DE SEXO? Foi umha das controvérsias que se deu num encontro dos muitos que se organizárom para o 25 de Novembro no país, nunca suficientes mas imprescindíveis para abordar o tema da violência machista, contra as mulheres, de género (ou de sexo).
De novo as palavras cobram importância porque aludem a concepçons e a visons distintas da realidade.
O género é umha realidade que tem a ver evidentemente com o sexo. O sexo decide-o a biologia, o género é umha questom social, um rol que se toma a partir da sociedade e dos valores culturais e os patrons que a sociedade cria. O rol de género é algo aprendido, o rol de sexo simplesmente nom existe.
Também nos jornais se indicou há nom muitos dias que esta denominaçom era inapropriada, com importante titular. Nom acerto a ver exactamente que repercussom política poida ter que se diga que a violência de género é umha denominaçom rejeitável desde o ponto de vista científico, mas si podo entender que o rol de género que a sociedade impujo e impom às mulheres significa que eu como mulher tenho que ser dumha determinada maneira, que tenho que assumir certas cousas, que isto está bem e que istoutro está mal para mim porque som mulher e nom homem. Nom vou entrar a dar exemplos, mas que alguem me explique se o facto de eu desde os 12 anos, ponho por caso, ter obrigas de cuidado dos meus irmaos, de aprender todo o relacionado com a casa e a cozinha, de cuidado de mim mesma coas horas de regresso à casa, de mentalizaçom de auto-protecçom dos homens novos e velhos tem algo a ver co rol de género ou co meu sexo?
Isto nom tem a ver co meu sexo, tem a ver com o papel que a sociedade me reservou para mim por ser mulher, tem a ver coa economia, coa distribuiçom do trabalho, coa perpetuaçom de privilégios de um género sobre o outro, coa concepçom que se cria da procriaçom, coa normalidade coa que se assume e aceita nesta sociedade a desigualdade entre os homes e as mulheres em razom ao seu género, nom ao seu sexo.