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Posted: December 27, 2007, 12:00am CET
ÀS SEIS E MÉDIA EM BALAÍDOS! A selecçom galega feminina de futebol vai debutar contra Catalunha o 27 de Dezembro, umha selecçom que já tem experiência e será umha difícil rival para as galegas, que se enfrontam por primeira vez como selecçom nacional. O partido será retransmitido pola TVG, para que todas e todos podamos ir interiorizando que por fim temos selecçom feminina absoluta, que desde o desporto também se constrói a igualdade e que existe um compromisso real do governo galego; porque ainda nom é de há muitos anos que era umha reivindicaçom mais utópica que real. Agora temos as selecçons nacionais ao completo, cobrindo ambos géneros, com normalidade e com muito orgulho. Por fim se criou a nossa selecçom feminina! As mulheres no futebol, o desporto masculino por excelência, porém também feminino polo interesse que esperta entre nós as mulheres, que sempre fomos ao futebol, que sempre nos interessámos por este desporto tam masculinizado e que sempre jogamos ao futebol. Se nom que lho perguntem a todas as nossas jogadoras que participam nas ligas, que jogam ao futebol-sala ou que levam anos nas vilas e concelhos grandes e pequenos da Galiza comprometidas com a prática do futebol, apesar da desídia dos concelhos, e sobretudo dos concelheiros homens que sempre punham pejas para a utilizaçom das instalaçons, para a distribuiçom dos horários... Som tantas as barreiras que se lhe pugérom às mulheres no futebol, que agora serám mais doadas de saltar tendo o referente da nossa selecçom de futebol feminino. E se nom que lhes perguntem às da minha vila, às de Femiordes e a tantas outras como elas.
Muita sorte para as nossas futebolistas e a sua treinadora, e muita festa para as siareiras galegas que havemos estar vendo a nossa selecçom ao completo como figemos nestes anos passados em Riazor e Sam Lázaro, coas nossas filhas e filhos ao nosso carom apoiando o futebol galego, celebrando a festa do nosso futebol e fazendo realidade as duas selecçons nacionais da Galiza.
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Posted: December 24, 2007, 12:00am CET
NATAL BOM. Além dos tópicos anúncios de famílias felizes que se reúnem mais umha vez nestas datas, ou dos saúdos agarimosos entre amigos e amigas, entre companheiras e companheiros de trabalho, ou com a gente que topamos na rua, há também infernos familiares que venhem converter estas boas intençons num jogo de hipocrisia. Afirmam quem sabem, que durante as datas do Natal os maus tratos som muito frequentes, porque a família se reúne, e os conflitos afloram, de tal modo que se os casos de violência machista se dam todo o ano e se noticiam nos jornais os episódios violentos que vivem muitas mulheres no seu dia a dia, nas datas sinaladas, os homes violentos exercem a sua violência se cabe com maior crueldade. É por isto que quase todas as noitesboas e fins de ano ingressa algumha mulher nas casas de acolhida fugindo do home violento que seguramente escolhe nom só onde mais dói, mas também quando mais fere.
Soa a tópico, mas nom o é. E suponho que os recursos nom tenhem férias de Natal. Para muitas mulheres nom há Natal Bom.
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Posted: December 19, 2007, 12:00am CET
SEGUIMOS IGUAL, OU PIOR. De novo temos que lamentar, condenar e rejeitar o assassínio dumha mulher a maos da sua parelha e constatar que a sociedade galega ainda nom se viu livre da violência de género. De novo os jornais nos surprendem -nunca deixamos de surprender-nos - com um tratamento informativo inapropriado.
Os titulares centram a informaçom na mulher assasinada, recolhem comentários de testemunhas, e engadem informaçons desnecessárias que desvirtuam o sentido da notícia. Centram-se na mulher assasinada de um modo incorrecto, vencelhando o assasínio coa denúncia, desvelam aspectos da sua vida privada, e fazem um relato pormenorizado, no espaço e no tempo, dos factos que conduzírom à agressom mortal, como se esta se cingisse por si mesma ao espaço e ao tempo determinado dessa noite e dessas horas.
Seguimos igual ou pior apesar das leituras críticas que se figérom sobre o comportamento dos mass-media quando se deu há umhas semanas um outro assasínio dumha mulher que apareceu num programa de televisom, relembrando o trágico caso de Ana Orantes. Apartir daí, houve também declaraçons institucionais de máximo rango, como o da vice-presidenta do governo espanhol, sinalando a responsabilidade dos meios e o necessário compromisso à hora de transmitir estas novas. Mas reincidindo em erros já mais que sinalados, apresentam os jornais mais umha vez, uns mais que outros, a nova de umha forma discriminatória coas mulheres.
Temos de ser conscientes de que o facto de que se aborde a notícia da morte dumha mulher por violência machista contribuíndo com dados desnecessários, pode conlevar mensagens claramente perpetuadoras da desigualdade e a discriminaçom quando lidos por outras mulheres. Estamos a falar de algo mui grave porque contribui a perpetuar os valores patriarcais que estám no fundo das acçons violentas contra as mulheres.
Nom sei se serei capaz de explicar o que se passou pola minha cabeça quando lim a nova. Como nom quero entrar em pormenores, quigera transmitir sem mais algumhas das mensagens que estou segura que chegárom de maneira subliminal às outras mulheres que como eu, lêrom as notícias sobre este novo caso de violência de género:
Era umha mulher emprendedora, madura, inteligente, formada e moderna, com critério e disposta a denunciar. E ainda assim e quiçá por isso foi assassinada. Isto é o que ficou na mente das galegas que lêmos esta nova. Por exemplo, a ninguém se lhe passou pola cabeça nesse dia como pode umha persoa possuir um arma depois de ter sido denunciado por violência ? Só no dia depois viu-se esta reflexom nalgúns artigos de opiniom.
De que maneira podemos construir umha sociedade igualitária se se nos castiga às mulheres mais conscientizadas, com critério e dispostas a denunciar ? E porém se insiste na ideia de que talvez por isso foi assassinada. A mensagem oculta é clara : é perigoso ser assim, este modelo de mulher deve ser combatido, há que luitar contra el. Ajudaria muito que as novas de violência de género fossem elaboradas por profissionais do jornalismo que tivessem umha formaçom prévia e apropriada sobre este tipo de notícias. Porque desde os jornais também se constrói e se pode contribuir a umha sociedade mais justa e igualitária; e todas e todos queremos ou deveriamos querer umha sociedade assim.
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Posted: December 11, 2007, 12:00am CET
PASSOU O 25 DE NOVEMBRO coas campanhas institucionais, políticas e de organizaçons feministas. Seguramente agora cumpra fazer umha valoraçom, ou quando menos umha reflexom. Estamos no que se costuma chamar o dia depois, o dia depois da violência de género?
Realmente a primeira reflexom que temos de fazer as pessoas, o conjunto da sociedade, é que nom é possível passar página, nom existe o dia depois da violência machista, está no dia a dia das nossas vidas, marcando a vida de muitas mulheres e condicionando o avanço social, a construçom dumha sociedade igualitária bem assentada nos valores e princípios democráticos.
Mas a violência machista é contínua; nos jornais dos últimos dias vários casos de mulheres agredidas polas suas parelhas fôrom aparecendo, houve um caso em Pontevedra , umha sentença por ameaças de género,e vam sucedendo-se como um goteio constante estas novas, lembrando-nos que dalgumha maneira estamos a perpetuar aqueles valores culturais assentados numha concepçom dessigualitária por ser patriarcal, discriminatória, e perpetuadora de vínculos de dependência- das relaçons entre as pessoas, que seguem a legitimar as condutas violentas contra as mulheres nesta sociedade de começos do século XXI.
Evidentemente som muitos os factores que estám implicados na construçom dumha sociedade que manifesta violência contra as mulheres, que a tolera e a justifica em certo modo, e que considera este assunto quando menos de interesse menor ou secundário. As causas da violência machista tenhem a ver coa cultura, coa concepçom das relaçons laborais, com o papel da família na sociedade, com o rol atribuído culturalmente às mulheres, coa concepçom do poder, das relaçons amorosas entre as pessoas, coa educaçom e a escola...
Neste ano coincidiu-se em querer chamar a atençom sobre o compromisso da sociedade, um compromisso necessário porque sem el nom som eficazes as medidas institucionais, nem os recursos com os que se dota a sociedade para luitar contra a violência machista. É certo que os recursos som imprescindíveis, mesmo desde os concelhos como o curso que se realizou no Porrinho para as e os profissionais que trabalham com mulheres em situaçom de violência de género, mas devemos tomar consciência da responsabilidade que temos como pessoas individuais, e nisso se centrárom a campanha de Vicepresidência: E ti que opinas dos malos tratos ás mulleres? e a do BNG Dá a cara, non vires as costas. Contra a violencia de xénero. Também há que lembrar a campanha da Marcha Mundial das Mulheres no ano em que recebeu o prémio Eu tamén navegar polo seu compromisso contra a violência machista,que incorporou esta ideia de compromisso pessoal mediante a distribuiçom de um braçalete para levar nesse dia ou em qualquer outro em que o vejamos preciso, que quer comprometer pessoal e individualmente contra a violência de género e isolar socialmente os violentos declarando a nom cumplicidade social com eles. É por isto que se distribuírom dous braçaletes diferenciados, um para os homens e outro para levarmos as mulheres. O dos homens é negro e porta o lema Eu nom som cúmplice da violencia machista; e o das mulheres é violeta e diz podemos acabar coa violencia machista.
O lema O pessoal é político que contribuiu a destapar os aspectos políticos do privado, tem que completar-se coa responsabilizaçom nossa privada e publicamente mas sempre de um modo pessoal, individual e com o nosso nome e apelidos para transformar a visom que ainda há na nossa sociedade da violência de género, descobrir as causas reais da violência e comprometer nom só as instituiçons, mas também as pessoas individualmente para que rejeitem a violência machista com orgulho e sem medo.