SEGUIMOS IGUAL, OU PIOR. De novo temos que lamentar, condenar e rejeitar o assassínio dumha mulher a maos da sua parelha e constatar que a sociedade galega ainda nom se viu livre da violência de género. De novo os jornais nos surprendem -nunca deixamos de surprender-nos - com um tratamento informativo inapropriado.
Os titulares centram a informaçom na mulher assasinada, recolhem comentários de testemunhas, e engadem informaçons desnecessárias que desvirtuam o sentido da notícia. Centram-se na mulher assasinada de um modo incorrecto, vencelhando o assasínio coa denúncia, desvelam aspectos da sua vida privada, e fazem um relato pormenorizado, no espaço e no tempo, dos factos que conduzírom à agressom mortal, como se esta se cingisse por si mesma ao espaço e ao tempo determinado dessa noite e dessas horas.
Seguimos igual ou pior apesar das leituras críticas que se figérom sobre o comportamento dos mass-media quando se deu há umhas semanas um outro assasínio dumha mulher que apareceu num programa de televisom, relembrando o trágico caso de Ana Orantes. Apartir daí, houve também declaraçons institucionais de máximo rango, como o da vice-presidenta do governo espanhol, sinalando a responsabilidade dos meios e o necessário compromisso à hora de transmitir estas novas. Mas reincidindo em erros já mais que sinalados, apresentam os jornais mais umha vez, uns mais que outros, a nova de umha forma discriminatória coas mulheres.
Temos de ser conscientes de que o facto de que se aborde a notícia da morte dumha mulher por violência machista contribuíndo com dados desnecessários, pode conlevar mensagens claramente perpetuadoras da desigualdade e a discriminaçom quando lidos por outras mulheres. Estamos a falar de algo mui grave porque contribui a perpetuar os valores patriarcais que estám no fundo das acçons violentas contra as mulheres.
Nom sei se serei capaz de explicar o que se passou pola minha cabeça quando lim a nova. Como nom quero entrar em pormenores, quigera transmitir sem mais algumhas das mensagens que estou segura que chegárom de maneira subliminal às outras mulheres que como eu, lêrom as notícias sobre este novo caso de violência de género:
Era umha mulher emprendedora, madura, inteligente, formada e moderna, com critério e disposta a denunciar. E ainda assim e quiçá por isso foi assassinada. Isto é o que ficou na mente das galegas que lêmos esta nova. Por exemplo, a ninguém se lhe passou pola cabeça nesse dia como pode umha persoa possuir um arma depois de ter sido denunciado por violência ? Só no dia depois viu-se esta reflexom nalgúns artigos de opiniom.
De que maneira podemos construir umha sociedade igualitária se se nos castiga às mulheres mais conscientizadas, com critério e dispostas a denunciar ? E porém se insiste na ideia de que talvez por isso foi assassinada. A mensagem oculta é clara : é perigoso ser assim, este modelo de mulher deve ser combatido, há que luitar contra el. Ajudaria muito que as novas de violência de género fossem elaboradas por profissionais do jornalismo que tivessem umha formaçom prévia e apropriada sobre este tipo de notícias. Porque desde os jornais também se constrói e se pode contribuir a umha sociedade mais justa e igualitária; e todas e todos queremos ou deveriamos querer umha sociedade assim.